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ENCINE - Ensino de Ciências e Inclusão Escolar
Artigos e Publicações - 2012

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REFLEXÕES ACERCA DO EVENTO:   I ENCONTRO EDUCACIONAL NA PERSPECTIVA INCLUSIVA (I ENEPI) -  AÇÕES E REFLEXÕES PEDAGÓGICAS PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL.

Eder Pires de Camargo1, Victor Marcelo Vicentini Cavalcante2,  Maria Inêz Vasconcelos da Silva3, Selma Alves4.
Referência do artigo:
 III Encontro do núcleo de ensino de Ilha solteira: Inclusão da inclusão (III ENEIS), 2012, Ilha Solteira – SP,  2012.

 “Apoio educacional do Laboratório de Estudos e Pesquisas sobre Ensino de Ciências e inclusão escolar – LEPEnCInE  no processo de ensino/aprendizagem dos alunos com deficiência visual matriculados nas escolas públicas da Diretoria de Ensino da região de Andradina”  NE/PROGRAD

1Departamento de Física e Química, Faculdade de engenharia, UNESP, Ilha Solteira: camargoep@dfq.feis.unesp.br
2Aluno do curso de licenciatura em Física da UNESP de Ilha Solteira:
victor01173@aluno.feis.unesp.br
3Departamento de Educação (Prefeitura de Ilha Solteira), Professora Readaptada (Apoio Técnico no AEE): inezvasconcelos_4.0@hotmail.com
4Secretaria de Educação (Estância Turística de Pereira Barreto), Coordenadora de Educação Especial: selma_ennes@hotmail.com

Eixo Temático: Inclusão

RESUMO
Relatamos a realização de um evento sobre ensino para alunos com deficiência visual. Este evento faz parte do projeto núcleo de ensino  acima descrito. Teve por objetivo divulgar o projeto junto aos coordenadores e professores do Atendimento Educacional Especializado  das escolas subordinadas às Diretorias de Ensino de Andradina e Jales, bem como, servir de subsídios teóricos para licenciandos dos cursos de Física, Biologia e matemática da FEIS/Ilha Solteira. O projeto NE tem três objetivos: (a) trabalhar a formação continuada de docentes de ciências e matemática que lecionam para alunos  com deficiência visual; (b) trabalhar com alunos cegos e com baixa visão conhecimentos de Braille, Soroban, computadores com ledores de textos e procedimentos de orientação e mobilidade; (c) imprimir em Braille conteúdo textual utilizados com os alunos. Participaram do evento uma docente e duas alunas de pós-graduação da UNESP de Presidente prudente. Tais profissionais pesquisam a questão da deficiência visual. Atingimos os objetivos esperados, já que contamos com aproximadamente 70 participantes. Efeitos do encontro já podem ser notados, uma vez que estamos criando convênios com escolas para o trabalho com docentes e alunos com deficiência visual. As palestras e mesas redondas do evento podem ser assistidas no site:  www.fc.unesp.br/encine/videos.php.

Palavras-chave: Deficiência visual, inclusão,formação de professores.

INTRODUÇÃO
As pessoas desenvolvem características particulares (especificidades) de codificação/decodificação no processamento das imagens mentais. A habilidade para compreender, interpretar e assimilar as informações serão apreendidas e expandidas, de acordo com a pluralidade das intervenções, das experiências variadas, da clareza e das formas como o comportamento exploratório for estimulado e desenvolvido.
Observando todas essas informações cognitivas, é fundamental que se criem projetos inclusivos que proporcionem aos profissionais da educação, condições de formação e informação pertinentes à Educação Especial, e  às pessoas com Deficiência Visual, conhecimentos adequados que minimizem as barreiras que impedem o acesso cultural, educacional, profissional e social.
Isto posto, levando-se em consideração a atual Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e considerando também que os alunos com deficiência visual começam à freqüentar as escolas regulares, o I ENEPI, visou trazer aos coordenadores e professores do AEE das Diretorias de Ensino de Andradina e Jales, momentos de discussão e reflexão  sobre a inclusão dos alunos com deficiência visual, além de apresentar experiências significativas que vem sendo realizadas no âmbito da UNESP de Ilha Solteira e Presidente Prudente acerca do processo de ensino/aprendizagem desses alunos.
Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN – Art.58 e 59:

“O atendimento educacional especializado será feito em classes, escolas, ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns do ensino regular” (BRASIL, 1996).

O I ENEPI teve o intuito de corroborar para a inclusão das pessoas com Deficiência Visual na sociedade, instrumentalizando os professores e coordenadores de Atendimento Educacional Especializado (AEE) com conhecimentos tecnológicos, softwares (leitores de tela), ensino do Braille, cálculo no Soroban, orientação e mobilidade, e outras especificidades que se fizerem necessárias.  Essa formação buscou oferecer condições ao professor possibilidades de realizarem junto aos seus alunos uma avaliação funcional da visão onde dados quantitativos e qualitativos sobre o nível da consciência visual podem ser obtidos, além de considerar   a importância da recepção, assimilação, integração e elaboração dos estímulos visuais para o desempenho e o uso funcional do potencial da visão.
Por isto, o evento objetivou também a apresentação de ações desenvolvidas na UNESP, disponibilizando as experiências realizadas nos campus de Ilha Solteira e Presidente Prudente, além dos materiais e condições formativas do Projeto Núcleo de Ensino (NAECIM), desenvolvido no âmbito da Faculdade de Engenharia da UNESP de Ilha Solteira. O quadro 1 abaixo descreve o cronograma com as atividades realizadas no evento.

Quadro 1: Cronograma das Atividades do I ENEPI
     


7h:30min às 8h:00min 

Cadastramento

8h:00min às 8h:30min

Abertura
- Diretor da FEIS - Prof. Dr. Marco Eustáquio de Sá,
- Dirigente Regional de Ensino de Andradina - Profa. Selênia Silvia Witter de Melo

- Dirigente Regional de Ensino de Jales - Profª Marlene Medaglia Cavalheiro Jacomassi
- Coordenador do NAECIN - Prof. Dr. Mário Sussumo Haga   

8h:30min às 10h:00

Palestra: As Políticas Públicas de Inclusão 
Profa. Dra. Elisa Tomoe Moriya Schlünzen
- UNESP de Presidente Prudente
- Coordenadora Pedagógica da REDEFOR

Intervalo - 10h:00 às 10h:20min

Café

10h:20min às 11h:55min

Mesa Redonda – Educação para Todos: Realidade, Parcerias e Perspectivas Regionais.

- Prof. Dr. Eder Pires de Camargo - Departamento de Física e Química, Faculdade de Engenharia, UNESP, Ilha Solteira.

- Profa. Dra. Elisa Tomoe Moriya Schlünzen - UNESP de Prudente - Coordenadora Pedagogica  – REDEFOR

- Profa. Dra. EricaRegina Marani DaruichiMachado – Departamento de Matemática _ UNESP Ilha Solteira
- Profa. Claudia

12hs:00min às 13h:30min

Almoço

13h:30min às 14h:30min 

Oficina 1 - Portais Educacionais (BIOE e Portal do Professor) como recursos educacionais para uma Escola Inclusiva.
- Profa. Mst.Danielle Aparecida do Nascimento dos Santos  

14h:30min às 15h:30min

Oficina 2 - Audiodescrição - transformando imagens em palavras.
- Especialista em Educação Especial: Márcia Debieux de Oliveira Lima

Intervalo 15h:30min às 16h:00

Café

16h:00 às 17h:00

Visitação ao LEPENCINE - Laboratório de Ensino e Pesquisa - Ensino de Ciências e Inclusão Escolar

JUSTIFICATIVA PARA A REALIZAÇÃO DO EVENTO
A promoção de um evento sobre inclusão de alunos com deficiência visual justifica-se por ao menos três argumentos:

  • Coloca em evidência a relação entre Ensino e a Diversidade Humana.

Neste sentido, traz a tona discussões inerentes a perfis e ritmos de aprendizagem, utilização de múltiplas percepções no Ensino e a consideração da existência de uma variedade de inteligências capazes de assimilarem de forma heterogênea os saberes desenvolvidos pelo homem.

  • Crescente aumento dos alunos com NEE (Necessidades educacionais Especiais) na Rede Regular de Ensino. 

Segundo os dados do censo escolar de 2008, o acréscimo de matrículas de alunos com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino foi de 755,5%, passando de 43.923 alunos em 1998 para 375.755 em 2008 (Brasil, 2009);

  • Põe em pauta a relação entre tipo de deficiência e características de uma determinada disciplina escolar.

Neste sentido, avança em relação aos princípios gerais de inclusão, dando voz às características intrínsecas relacionadas às tipologias dos conteúdos escolares e dos diferentes aspectos da deficiência visual. 
A construção de uma didática inclusiva não é simples, deve respeitar as normativas gerais para a inclusão, além de considerar variáveis específicas relacionadas ao tipo de deficiência visual e conteúdo escolar.
As normativas comuns relacionadas às idéias inclusivistas são descritas pelas variáveis:
(1) Posição contrária aos movimentos de homogeneização e normalização;
(2) Defesa do direito à diferença, a heterogeneidade e a diversidade. Essas normativas podem ser melhores entendidas por meio de seis pólos norteadores, a saber:
(a) O aluno com deficiência deve ser educado nas escolas próximas de sua casa;
(b) O percentual de alunos com deficiências em cada classe deve ser representativo de sua prevalência;
(c) As escolas devem pautar-se pelo princípio da “rejeição zero”;
(d) Os alunos com deficiências devem ser educados na escola regular, em ambientes apropriados a sua idade e nível de ensino;
(e) O ensino em cooperação e a tutoria de pares são métodos de ensino preferenciais;
(f) Os apoios dados pelos serviços de educação especial não são exclusividade dos alunos com deficiências  (CORREIA, 2006).

Objetivos Gerais do evento      
Compartilhar processos de formação continuada com os profissionais da Educação Especial, pois os mesmos são fundamentais na identificação e intervenção pedagógica para a inclusão de pessoas com Necessidades Educacionais Especiais, e de forma mais específica, aos alunos com deficiência visual.  Isto é Imprescindível ao desenvolvimento da cidadania da pessoa cega ou com baixa visão, ou seja, participar em condições de igualdade, podendo discutir, discordar, opinar e transformar o contexto social no seu entorno.
Destacamos o termo “compartilhar”, pois, nosso entendimento educacional é o de que todo ensino é dialético, o que implica na troca mutua entre educadores e educandos, o que nos faz assumir os dois papeis durante o evento. Dito de outro modo, se por um lado nos propomos a trazer novas experiências, informações, estratégias de ensino etc, por outro, reconhecemos os participantes como educadores em plena atividade, e esperamos deles um aprendizado sobre o conjunto de saberes que constroem de forma teórica e prática em suas atividades profissionais.
A Proposta de trabalho do I ENEPI teve como objetivo promover um aprendizado que envolva a construção de conhecimentos específicos da Deficiência Visual, a autonomia profissional e acadêmica, a iniciativa inclusiva, a criatividade, a cooperação, para que os professores participem como formadores e agentes de transformação do cotidiano escolar. 

Objetivos Específicos

  • Refletir criticamente sobre a educação do Deficiente Visual;
  • Aproximar docentes do AEE das adaptações adequadas à Deficiência Visual;
  •  Compreender e discutir as singularidades que caracterizam as limitações visuais de cada um resultantes da relação: pessoa com deficiência visual/meio social, tendo em vista que a idéia de limitação é sempre estabelecida na relação e nunca de forma unilateral;
  • Sensibilizar e fortalecer as pessoas quanto às tensões e problemas inerentes à Deficiência Visual.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
O evento contou com a participação de aproximadamente 70 pessoas entre alunos de licenciatura dos cursos de Biologia, Física e matemática da FEIS, docentes das diretorias de ensino de Andradina e Jales e coordenadores do Atendimento Educacional Especializados das diretorias mencionadas. Os representantes das diretorias, dos projetos núcleo de ensino relacionados à inclusão, o coordenador do NAECIN   e o representante do setor de educação da cidade de Ilha solteira tiveram a palavra na abertura do evento, que foi presidida pelo diretor da FEIS, Prof. Dr. Marco Eustáqueo de Sá.
Na primeira palestra “As Políticas Públicas de Inclusão”, a   Profa. Dra. Elisa Tomoe Moriya Schlünzen  da UNESP de Presidente Prudente apresentou todo histórico legislativo e trouce com exatidão definições de direitos acerca da inclusão do aluno com deficiência.  
Na mesa redonda: “Educação para Todos: Realidade, Parcerias e Perspectivas Regionais” foram apresentados os projetos sobre inclusão vinculados ao núcleo de ensino e os projetos que vem sendo desenvolvidos na UNESP de Prudente. Além dos projetos, a professora da sala de recurso de deficiência visual da diretoria de Andradina apresentou seu trabalho.
Foram realizadas duas oficinas. “Portais Educacionais (BIOE e Portal do Professor) como recursos educacionais para uma Escola Inclusiva” e “Audiodescrição - transformando imagens em palavras”. Nessas ofcinas foram apresentados recursos digitais e procedimentos de audiodescrição, fundamentais ao ensino de alunos cegos e com baixa visão.
Por fim, uma visita ao Laboratório de  Estudos e Pesquisas sobre Ensino de ciências e Inclusão Escolar (LEPENCINE) foi realizada.Nesta visita, os equipamentos e possibilidades do laboratório foram apresentados.

CONCLUSÕES
A importância da realização do evento pode ser abordada em função de dois objetivos atingidos:
1) A abordagem teórica dos temas sobre ensino de alunos com deficiência visual junto com alunos da FEIS e professores e coordenadores das diretorias de ensino. Um vasto corpo de conhecimento foi disponibilizado no evento, e a interação dos participantes com os palestrantes mostrou-se significativa e intensa. O evento foi filmado na íntegra e pode ser assistido no site: www.fc.unesp.br/encine/videos.php. Não deixe de assistir. Visite também outros linques no site e conheça as pesquisas do grupo ENCINE – Ensino de Ciências e Inclusão escolar.
2) A divulgação do projeto núcleo de ensino que visa trabalhar com a formação de professores e dar subicidios teóricos para a ação pedagógica junto à alunos cegos e com baixa visão. Esta ação pretendeu suprir uma dificuldade encontrada pelo proponente do projeto NE, dificuldade esta de fazer chegar aos docentes da diretoria de ensino de Andradina o projeto. Ocorre que a grande quantidade de trabalho na diretoria inviabiliza que seus PCNPS  atuem como mediadores entre o proponente do projeto e os docentes. Por isto, estamos mudando o objetivo do projeto, anteriormente concentrado no trabalho com todos os docentes de ciências e matemática da diretoria de ensino de Andradina. Agora  limitamos o número de escolas e cidades para que um trabalho mais próximo possa ser realizado. São duas escolas da cidade de Pereira Barreto que participam e três alunos dessas escolas. 
Destacamos a importância do projeto, bem como, a necessidade de trabalharmos com calma mas de forma urgente. Calma para conhecermos detalhadamente as dificuldades de aproximação da realidade do aluno com deficiência visual e urgência, pois, os discentes precisam muito de canais de acessibilidade com o conteúdo escolar. Urgência também porque o conjunto de conhecimentos produzidos na área é adequado para suprir as dificuldades de docentes que trabalham com tal demanda.
 
REFERÊNCIAS
BRASIL, Ministério da Educação. Censo Escolar. Brasília, INEP, 2009. Disponível em: <http://www.inep.gov.br/basica/censo/Escolar/Sinopse/sinopse.asp.> Acesso em: 10 de dezembro de 2009.

_______________ Congresso Nacional. Lei nº 9.394, de 20/12/1996. Fixa diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, nº 248, de 23/12/1996.

CORREIA, L.M. Dez anos de Salamanca, Portugal e os alunos com necessidades educativas especiais. In: RODRIGUES, D. (Org). INCLUSÃO e EDUCAÇÃO - Doze olhares sobre a educação inclusiva. São Paulo: SUMMUS, 2006, p. 239-274.


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