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ENCINE - Ensino de Ciências e Inclusão Escolar
Artigos e Publicações - 2011
 

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ENSINO DE FÍSICA PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIAS VISUAIS: PANORAMA DAS PESQUISAS APRESENTADAS NOS PRINCIPAIS ENCONTROS E REVISTAS DA ÁREA A PARTIR DO ANO 2000

Paola Trama Alves dos Anjos1, Eder Pires de Camargo2

1 Faculdade de Ciências, UNESP – Univ Estadual Paulista, Campus de Bauru, Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência (Área de concentração: Ensino de Ciências). E-mail: paolatrama@yahoo.com.br
2 Faculdade de Engenharia, UNESP – Univ Estadual Paulista, Campus de Ilha Solteira, Departamento de Física e Química e Faculdade de Ciências, UNESP – Univ Estadual Paulista, Campus de Bauru, Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência (Área de concentração: Ensino de Ciências). E-mail: camargoep@dfq.feis.unesp.br
Referência do texto: ANJOS, P.T.A., CAMARGO, E.P. Ensino de física para alunos com deficiências visuais: Panorama das pesquisas apresentadas nos principais encontros e revistas da área a partir do ano 2000. In: Simpósio Nacional de Ensino de Física, 19, 2011, Manaus. Atas do XIX Simpósio Nacional de Ensino de Física. Manaus: SBF, 2011.

Resumo
Mesmo sendo a Educação Especial um tema discutido há mais de um século no Brasil, as conversas em torno desta temática intensificaram-se nas últimas décadas devido a discussões das quais resultaram, entre outros documentos, a Declaração de Salamanca, a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação, os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial para a Educação Básica. Um dos reflexos destas discussões e documentos é o aumento do número de alunos com deficiências visuais no Ensino Regular e é fundamental assegurar a efetiva aprendizagem destes alunos. Dos principais eventos da área de Ensino de Ciências e Física, o Simpósio Nacional do Ensino de Física (SNEF) foi o único a trazer a discussão da Educação Especial em uma temática separada denominada “Ensino de Física e estratégias para portadores de necessidades especiais”, em 2005 e 2007. Através da pesquisa em 11 revistas indicadas pela ABRAPEC, sendo 8 nacionais e 3 internacionais e em 3 eventos (ENPEC, SNEF e EPEF), apresentamos neste trabalho um panorama das pesquisas realizadas sobre o Ensino de Física para alunos com Deficiência Visuais, no período compreendido entre 2000 e julho/2010.
Palavras-chave: Ensino de Física, Levantamento bibliográfico, Deficiência Visual, Inclusão.
1. Introdução
A educação especial é um tema discutido no Brasil há mais de um século.  Com relação às pessoas com deficiências visuais, o primeiro registro que há da preocupação com a educação destes é de 12 de Setembro de 1854, quando o Imperador D. Pedro II criou o Imperial Instituto para Meninos Cegos, no Rio de Janeiro, RJ, através do Decreto Imperial nº 1428.  O instituto, posteriormente, passou a chamar Benjamin Constant, e foi a única instituição para a educação de pessoas com deficiências visuais até 1926, quando foi criado o Instituto São Rafael, em Belo Horizonte, MG (Masini, 1993).
Nota-se que nas últimas décadas houve um aumento da presença de alunos com algum tipo de deficiência (visual, auditiva ou intelectual) nas escolas brasileiras. De acordo com o Censo Escolar realizado pelo MEC/INEP tínhamos no Brasil, em 2000, 300.520 alunos da Educação Especial matriculados em classes comuns do Ensino Regular ou Ensino de Jovens e Adultos. Em 2009 esse número subiu para 398.155 alunos. Considerando somente a Deficiência Visual, de acordo com o mesmo Censo Escolar anteriormente citado, em 2000 eram 8.019 alunos matriculados com alguma deficiência visual. No Censo de 2009 são 61.769 alunos, sendo 5159 alunos com cegueira e 56.610 com baixa visão. Este fato é resultado de discussões que ocorreram na década passada, como a que culminou com a Declaração de Salamanca, que contém princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais e que, entre outras práticas, cita como benéfica a pedagogia centrada na criança, a importância da divulgação e disseminação de resultados de pesquisas e práticas docentes e o papel da Universidade no sentido de colaborar com essa divulgação (UNESCO, 1994).  Adicionalmente, há a Lei de Diretrizes e Bases (Brasil, 1996), os Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 1998) e as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (Brasil, 2001), que regulamentam e asseguram direitos às pessoas com deficiências.
No campo da pesquisa em Ensino de Física, temos como importantes marcos o SNEF (Simpósio Nacional de Ensino de Física) e o EPEF (Encontro de Pesquisa em Ensino de Física). O SNEF teve sua primeira edição realizada em 1970, foi um evento trienal até 1985 quando passou a bienal, formato que permanece até hoje. A idéia de se realizar o EPEF surge em 1985, quando em um encontro informal de pesquisadores em ensino de Física se considerou a necessidade da realização de um fórum específico para a discussão da pesquisa stricto sensu (NARDI, 2005). Com isso o primeiro EPEF é realizado em 1986, com a periodicidade bienal (não houve realização do evento em 1992).
Com relação à pesquisa em Ensino de Ciências, são fatos importantes a criação da ABRAPEC (Associação Brasileira de Pesquisa e Educação em Ciências) e o início do ENPEC (Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciência), ambos em 1997.
Mesmo sendo a Educação Especial uma área em constante expansão, o SNEF, nas edições de 2005 e 2007, foi o único evento a tratar do assunto em uma temática exclusiva, denominada “Ensino de Física e estratégias para portadores de necessidades especiais”.
Tendo em vista a importância das pesquisas acadêmicas na área educacional, este trabalho tem como objetivo levantar as pesquisas feitas relacionando o Ensino de Física e a Deficiência Visual e quais os principais temas tratados nestas pesquisas. Desta forma, é traçado um panorama da pesquisa em Ensino de Física para alunos com Deficiências Visuais na última década.
2. Metodologia
Neste trabalho apresenta-se o levantamento das pesquisas relacionando o Ensino de Física e a Deficiência Visual realizadas entre 2000 e 2010 (considerando o que estava disponível até o mês de Julho) e a análise e categorização destas pesquisas. Para tal, o trabalho foi dividido em duas etapas: a) levantamento bibliográfico e b) classificação dos trabalhos em categorias.
a) Levantamento bibliográfico
Para este levantamento considerou-se as revistas da área indicadas pela ABRAPEC, com Qualis igual ou superior a B3. Sendo assim, pesquisaram-se as seguintes revistas: Ciência & Educação, Investigações em Ensino de Ciências, Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Revista Brasileira de Ensino de Física, Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia (RELEA), Revista Ensaio, Ciência & Ensino, Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (RBPEC), Revista Enseñanza de la Física, Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias (REEC) e Enseñanza de las Ciencias. Foi feito também, o levantamento dos trabalhos apresentados nos últimos 10 anos nos seguintes eventos: ENPEC, SNEF e EPEF. Em alguns casos, o período foi inferior a este devido à indisponibilidade de acesso à revista ou ao início da revista ser posterior ao ano 2000.
Nas revistas e atas dos eventos onde a ferramenta de busca por palavra-chave estava disponível, esta foi utilizada, sendo a busca realizada pelos seguintes termos: deficiência visual, deficiente visual, deficientes visuais, cego, baixa visão, inclusão e portadores de necessidades especiais. Quando a ferramenta não estava disponível, a busca foi feita através da leitura dos títulos dos trabalhos, buscando as palavras-chaves citadas anteriormente.
Após o levantamento dos artigos e trabalhos, efetuou-se a leitura dos resumos dos mesmos, para verificar a relação entre a Deficiência Visual e o Ensino de Física. Estes artigos foram contabilizados para fins quantitativos. Por fim, efetuou-se a leitura completa dos artigos que atendiam a relação estabelecida para, posteriormente, classificá-los em categorias. Em alguns casos o resumo e/ou o trabalho completo não estava disponível, nestas situações considerou-se o trabalho para efeitos quantitativos, mas este não fez parte da categorização.
b) Classificação dos trabalhos
Terminada a leitura completa dos trabalhos, procedeu-se a classificação dos mesmos conforme as seguintes categorias: a) a temática envolvida (Mecânica, Termodinâmica, Óptica, Ondulatória, Eletromagnetismo, Física Moderna e Astronomia) e b) o foco do trabalho (Montagem de materiais/experimentos adequados ao ensino de alunos com deficiências visuais, Aplicação de materiais/experimentos adequados ao ensino de alunos com deficiências visuais, Concepções Alternativas, Práticas Pedagógicas, Processo Ensino-Aprendizagem e Outros).
3. Resultados
No levantamento feito junto às revistas, obtivemos um total de 2562 artigos publicados sendo que 16 artigos relacionam Ensino de Física e Deficiência Visual, correspondendo a 0,62% do total de publicações. A Tabela 1 mostra, por revista, o período pesquisado, o total de publicações e a quantidade de publicações relacionada ao Ensino de Física para alunos com deficiências visuais em números inteiros e porcentagem.
A maior parte dos artigos analisados nas revistas envolve a temática da Mecânica e refere-se ao processo de Ensino-Aprendizagem, como mostram as Tabela 2 e 3. Dos 16 artigos selecionados, o da Enseñanza de las Ciencias não estava disponível para leitura, sendo contabilizado somente na Tabela 1.

Tabela 1: Dados das revistas pesquisadas (período, total de publicações e quantidade de publicações relacionadas ao Ensino de Física para alunos com deficiências visuais - DV)


Revista

Período Pesquisado

Total de Publicações

Publicações em Ensino de Física para alunos com DV

Quantidade

% do total

Ciência & Educação

2000 a 2010

292

3

1,03

Investigações em Ensino de Ciências

2000 a 2010

167

2

1,20

Caderno Brasileiro de Ensino de Física

2000 a 2010

314

1

0,32

Revista Brasileira de Ensino de Física

2000 a 2010

695

3

0,43

RELEA

2004 a 2010

36

0

0

Revista Ensaio

2000 a 2010

142

1

0,70

Ciência & Ensino

2000 a 2008

71

0

0

RBPEC

2001 a 2010

190

2

1,05

Revista Enseñanza de La Física

2006 a 2009

44

1

2,27

REEC

2002 a 2010

267

2

0,75

Enseñanza de las Ciencias

2000 a 2010

344

1

0,29

Total Geral de Publicações

 

2562

16

0,62

 

Tabela 2: Distribuição dos artigos levantados de acordo com a temática. (Total de artigos publicados e analisados = 15)


Temática

Nº de Artigos

% do Total

Mêcanica

6

40

Termodinâmica

0

0

Óptica

3

20

Ondulatória

0

0

Eletromagnetismo

1

6,67

Física Moderna

1

6,67

Astronomia

1

6,67

Indefinida

3

20

 

Tabela 3: Distribuição dos artigos levantados de acordo com o foco. (Total de artigos publicados e analisados = 15)


Focos

N º de Artigos

% do Total

Montagem de experimentos/materiais adequados ao ensino de alunos com deficiências visuais

3

20

Aplicação de experimentos/materiais adequados ao ensino de alunos com deficiências visuais

4

26,67

Concepções Alternativas

2

13,33

Práticas Pedagógicas

4

26,67

Processo Ensino-Aprendizagem

5

33,33

Outros

0

0

Com relação ao levantamento feito junto às atas dos eventos, obtivemos um total de 4452 trabalhos apresentados entre painéis e comunicações orais. Deste total, 32 trabalhos estavam relacionados ao Ensino de Física para, correspondendo a 0,72% do total de trabalhos.
A tabela 4 mostra, por evento, o período pesquisado, o total de trabalhos apresentados e a quantidade de trabalho relacionada ao Ensino de Física para alunos com deficiências visuais em números inteiros e porcentagem.

Tabela 4: Dados dos eventos pesquisados (período, total de trabalhos apresentados e quantidade de trabalhos relacionada ao Ensino de Física para alunos com deficiências visuais - DV)


Evento

Período Pesquisado

Total de Trabalhos

Trabalhos em Ensino de Física para alunos com DV

Quantidade

% do total

ENPEC

2001 a 2007

2007

8

0,40

SNEF

2001 a 2009

1784

17

0,95

EPEF

2000 a 2008

661

7

1,06

Total Geral de Trabalhos

 

4452

32

0,72

A maior parte dos trabalhos analisados refere-se à montagem e/ou aplicação de experimentos/materiais para o ensino de alunos com deficiências visuais e a temática da Mecânica, como mostram as Tabela 5 e 6. Dos 32 trabalhos selecionados não tivemos acesso a leitura de um trabalho apresentado no IV ENPEC (2003), um apresentado no XIV SNEF (2001) e dois trabalhos apresentados no VII EPEF (2000), sendo estes contabilizados somente na Tabela 4.

 

Tabela 5: Distribuição dos trabalhos apresentados de acordo com a temática. (Total de trabalhos publicados e analisados = 28)


Temática

Nº de Trabalhos

% do Total

Mêcanica

7

21,87

Termodinâmica

2

6,25

Óptica

4

12,50

Ondulatória

0

0

Eletromagnetismo

6

18,75

Física Moderna

1

3,12

Astronomia

1

3,12

Indefinida

10

31,25

Tabela 6: Distribuição dos trabalhos apresentados de acordo com o foco. (Total de trabalhos publicados e analisados = 28)


Focos

N º de Trabalhos

% do Total

Montagem de experimentos/materiais adequados ao ensino de alunos com deficiências visuais

10

31,25

Aplicação de experimentos/materiais adequados ao ensino de alunos com deficiências visuais

10

31,25

Concepções Alternativas

4

12,50

Práticas Pedagógicas

6

18,75

Processo Ensino-Aprendizagem

5

15,62

Outros

3

9,37

Com relação aos focos dos trabalhos, alguns possuíam mais de um dos focos relacionados nas Tabelas 3 e 6. Bem como alguns trabalhos possuíam mais de uma temática relacionada na Tabela 5. Ainda com relação às temáticas, foram considerados como “temática indefinida” os trabalhos que não tratavam de um conteúdo específico dentro da Física (conteúdos estes relacionados nas diferentes temáticas).
Apresenta-se a seguir uma breve descrição das subcategorias consideradas como foco dos trabalhos:

  • Montagem de experimentos/materiais adequados ao ensino de alunos com Deficiências Visuais:

13 trabalhos estão nesta subcategoria. Em linhas gerais os trabalhos trazem sugestões de atividades e materiais para o ensino de temas como: queda dos objetos, conceito de aceleração, energia, eletricidade, astronomia, entre outros. São trabalhos que visam a adaptação de experimentos para garantir a efetiva participação dos alunos com deficiências visuais nas aulas experimentais.

  • Aplicação de experimentos/materiais adequados ao ensino de alunos com Deficiências Visuais:

14 trabalhos estão relacionados a esta subcategoria. Em geral, a maioria dos trabalhos aqui classificados está também presente na categoria anterior. Nesta subcategoria os trabalhos fazem análises da aplicação de experimentos adequados ao ensino de alunos com deficiências visuais, para assim, obterem dados referentes ao processo de aprendizagem, de participação dos alunos, de influência da experimentação no ensino, entre outros.

  • Concepções Alternativas:

6 trabalhos buscaram pesquisar sobre as concepções alternativas de alunos com deficiências visuais com relação a diversos temas. A maior parte dos trabalhos busca comparar as concepções alternativas de alunos deficientes visuais as de alunos videntes.

  • Práticas Pedagógicas:

12 trabalhos estão nesta subcategoria que traz temas como a abordagem de dificuldades para o ensino de física para alunos com deficiências visuais, propostas para o ensino de diversos temas relacionados a física, as condições necessárias para que uma prática docente ocorra em um contexto inclusivo, os desafios e perspectivas dos professores no ensino para alunos com deficiências visuais, entre outros.

  • Processo Ensino-Aprendizagem:

10 trabalhos foram incluídos nesta subcategoria com trabalhos relacionados a considerações sobre o ensino de física, condições para que o ensino de Física para alunos com deficiências visuais seja efetivo, fatores que influenciam no ensino de Física para alunos com deficiências visuais, a influência da comunicação no processo de ensino-aprendizagem da física, fatores que dificultam o aprendizado do aluno com deficiência visual no cotidiano da sala de aula, estratégias de ensino baseadas em Vygotsky e em atividades desenvolvidas e elaboração de uma propostas metodológicas.

  • Outros

Nesta subcategoria foram classificados 3 trabalhos que não se enquadraram nas subcategorias anteriores: Ferreira e Dickman (2007) que discute o ensino de física baseado na percepção de professores que lecionam para alunos com deficiências visuais, Almeida et al. (2009) que traz resultados do trabalho do Grupo de Estudos (GE) da UFF e Camargo et al. (2009) que apresenta a implantação de uma linha de pesquisa com foco no Ensino de Física para alunos com deficiências visuais.

 

4. Conclusões
Através deste levantamento, observamos que tanto nas revistas nacionais e internacionais quanto nos eventos da área de Ensino de Física e Ciências, ainda é muito pequeno o número de publicações e apresentações, não chegando a 1% do total publicado/apresentado nesta década. A revista com mais publicações, na área e período pesquisado é a Investigações em Ensino de Ciências, com 2 artigos publicados, correspondendo a 1,20% do total de artigos publicados nesta revista. O EPEF é o evento com maior percentual de apresentações, com 7 trabalhos, correspondendo a 1,06% do total de trabalhos apresentados.
Observamos, ainda, que o número de trabalhos apresentados nos eventos, não correspondem, necessariamente, à pesquisas diferentes visto que uma mesma pesquisa pode gerar diversos trabalhos. Especificamente pudemos avaliar que dos 28 trabalhos analisados, 3 referem-se a uma única pesquisa (P1) com diferentes atividades de ensino, 2 a uma pesquisa de Pós-doutorado (P2), 2 são resultados de uma mesma pesquisa junto à licenciandos (P3) e 2 tratam de uma mesma montagem de material (P4). Sendo assim, levantamos junto aos eventos, 23 pesquisas diferentes que geraram 28 trabalhos.
Quando cruzamos estes dados com os artigos publicados em revistas, temos que dos 15 artigos analisados, 2 referem-se a uma pesquisa (P5) anteriormente publicada em um dos eventos, 3 referem-se à P1 anteriormente citada, 3 referem-se a P3 (que em um segundo momento, gerou mais 4 artigos também publicados em revistas). Temos, portanto, em um panorama geral, 43 trabalhos analisados gerados por 26 pesquisas.
Diante destes números, podemos inferir que ainda há a necessidade de pesquisas que relacionem o Ensino de Física e a Deficiência Visual, visto que na última década houve um aumento da presença de alunos com deficiências visuais nos bancos escolares e é fundamental que se garanta um aprendizado efetivo destes alunos.
Dos 43 artigos e trabalhos analisados, observamos que 10 referem-se, de alguma forma, a formação de professores. Este é, ainda, um campo a ser pesquisado com maior ênfase, pois o papel do professor é imprescindível para que se garanta a inclusão dos alunos com deficiências visuais. Estes 10 trabalhos relacionaram-se a formação inicial do professor, isto é, foram realizados junto à licenciandos. Nenhum trabalho apresentou dados de formação continuada dos professores. Considerando que muitos dos docentes não possuíram em sua formação inicial conteúdos e conceitos voltados à educação inclusiva, ressaltamos a necessidade deste tipo de estudo.
Esperamos, com este trabalho, contribuir para a área do Ensino de Física para alunos com Deficiências Visuais com subsídios para direcionar futuros estudos e assim assegurar a efetiva inclusão e aprendizado destes alunos.
5. Referências Bibliográficas
BRASIL. Congresso Nacional. Lei nº. 9.394, de 20 de Dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, 1996.
BRASIL. Ministério da educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências Naturais. Secretária da Educação Fundamental. Brasília, 1998.
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Secretária de Educação Especial – MEC: SEESP, 2001.
BRASIL. Ministério da Educação. Censo Escolar 2009. INEP – MEC. Disponível em: < http://www.inep.gov.br/basica/censo/default.asp>. Acesso em 20 ago. 2010.
MASINI, E. F. S. A educação do portador de deficiência visual: as perspectivas do vidente e do não vidente. Em Aberto. V.13, n.60, p.61-76, Out./Dez. 1993.
NARDI, R. Memórias da educação em ciências no Brasil: a pesquisa em ensino de física. Investigações em Ensino de Ciências, Porto Alegre, v.10, n.1, p. 63-101, 2005.
UNESCO. Declaração de Salamanca sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais. 1994. Disponível em <http://www.unesco.org.br>. Acesso em 10 Ago. 2010.
6. Fontes de Pesquisas Bibliográficas
ALMEIDA, L.C. et al. Videntes e não videntes: subsídios para um ensino inclusivo. In: Simpósio Nacional de Ensino de Física, 18, 2009, Vitória. Atas do XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física. Vitória: SBF, 2009.
CADERNO BRASILEIRO DE ENSINO DE FÍSICA. Florianópolis: UFSC. 2000-2010. Disponível em: < http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/>. Acesso em 13 Ago. 2010.
CAMARGO, E.P. et al. Ensino de física e deficiência visual: diretrizes para a implantação de uma nova linha de pesquisa. In: Simpósio Nacional de Ensino de Física, 18, 2009, Vitória. Atas do XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física. Vitória: SBF, 2009.
CIÊNCIA E EDUCAÇÃO. Bauru: FC UNESP/Bauru, 2000-2010. Disponível em <http://www2.fc.unesp.br/cienciaeeducacao/index.php>. Acesso em 15 Ago. 2010.
ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, 7., 2000, Florianópolis. Anais...Florianópolis: UFSC, 2000. 1 CD-ROM.
ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, 8., 2002, Águas de Lindóia. Anais...Águas de Lindóia, 2002. 1 CD-ROM.
ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, 9., 2004, Jaboticatubas. Anais...Jaboticatubas, 2004. 1 CD-ROM.
ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, 10., 2006, Curitiba. Anais...Curitiba, 2006. 1 CD-ROM.
ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, 11., 2008, Curitiba. Anais...Curitiba, 2008. 1 CD-ROM.
ENCONTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, 3., 2001, Atibaia. Anais...ABRAPEC, 2001. 1 CD-ROM.
ENCONTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, 4., 2003, Bauru. Anais...ABRAPEC, 2003. 1 CD-ROM.
ENCONTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, 5., 2005, Bauru. Anais...ABRAPEC, 2005. 1 CD-ROM.
ENCONTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, 6., 2007, Florianópolis. Anais...ABRAPEC, 2007. 1 CD-ROM.
FERREIRA, A.C., DICKMAN, A.G. Ensino de Física a estudantes cegos na perspectivas dos professores. In: Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciência, 6, 2007, Florianópolis. Atas do VI Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Florianópolis: ABRAPEC, 2007.
REVISTA BRASILEIRA DE ENSINO DE FÍSICA. São Carlos: SBF. 2000-2010. Disponível em: <http://www.sbfisica.org.br/rbef/ojs/index.php/rbef>. Acesso em 16 Ago. 2010.
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REVISTA CIÊNCIA & ENSINO. Campinas: UNICAMP. 2000-2008. Disponível em: <http://www.ige.unicamp.br/ojs/index.php/cienciaeensino/index>. Acesso em 18 Ago. 2010.
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REVISTA ENSAIO: PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS. Belo Horizonte: UFMG. 2000-2010. Disponível em: <http://www.portal.fae.ufmg.br/seer/index.php/ensaio>. Acesso em 20 Ago. 2010.
REVISTA ENSEÑANZA DE LAS CIENCIAS. Barcelona: UAB. 2000-2010. Disponível em: <http://ensciencias.uab.es/>. Acesso em 19 Ago. 2010.
REVISTA ENSEÑANZA DE LA FISICA. APFA. 2006-2009. Disponível em: < http://dialnet.unirioja.es/servlet/revista?codigo=12140>. Acesso em 21 Ago. 2010.
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REVISTA LATINO-AMERICANA DE EDUCAÇÃO EM ASTRONOMIA. Limeira: ISCA. 2004-2010. Disponível em:< http://www.relea.ufscar.br/>. Acesso em 15 Ago. 2010.
SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA. 14, 2001, Natal. Anais... SBF. 2001. CD-ROM.
SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA. 15, 2003, Curitiba. Anais... SBF. 2003. CD-ROM.
SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA. 16, 2005, Rio de Janeiro. Anais... SBF. 2005. CD-ROM.
SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA. 17, 2007, São Luís. Anais... SBF. 2007. CD-ROM.
SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA. 18, 2009, Vitória. Anais... SBF. 2009. CD-ROM.

 

 

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