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ENCINE - Ensino de Ciências e Inclusão Escolar
Artigos e Publicações - 2009
 

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INCLUSÃO NO ENSINO DE FÍSICA:    MATERIAIS ADEQUADOS AO ENSINO DE ELETRICIDADE PARA ALUNOS COM E SEM DEFICIÊNCIA VISUAL

Eder Pires de Camargoa [camargoep@dfq.feis.unesp.br]
Alysson Cristiano Benetib [alysson.beneti@gmail.com]
Ibraim Alcides Moleroc [molibra@gmail.com]
Roberto Nardid [nardi@fc.unesp.br]
Noemi Sutile [noemisutil@hotmail.com]

a Departamento de Física e Química, Faculdade de Engenharia, UNESP, Avenida Brasil 56, CEP: 15385000, Ilha Solteira – SP.
b, e Programa de pós-graduação em Educação para a Ciência (Área de Concentração: Ensino de Ciências) da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Campus de Bauru.
c Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Campus de Bauru.
d Departamento de Educação e Programa de pós-graduação em Educação para a Ciência (Área de Concentração: Ensino de Ciências) da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Campus de Bauru.
Publicado nas atas do XVIII SNEF - Simposio nacional de Ensino de Física, 2009, Vitória.

Resumo
Apresentamos maquetes de ensino de eletricidade adequadas à participação de alunos com deficiência visual em aulas de física.  Essas maquetes abordam os seguintes temas: cargas elétricas e linhas de campo, interações entre cargas elétricas, circuito elétrico, rede cristalina cúbica, condutor elétrico, corrente elétrica, diferença de potencial, resistência elétrica e resistividade elétrica. Como mostraremos, os materiais desenvolvidos são adequados não apenas para o ensino dos alunos com deficiência visual, como também, dos alunos videntes. Assim, pretendemos que possíveis receios sejam superados pelos professores, e que as dificuldades transformem-se em alternativas de ensino para todos os alunos. Os materiais apresentados resultam de uma pesquisa de pós-doutorado sobre a inclusão de alunos com deficiência visual em aulas de física (CAMARGO, 2006). Nessa pesquisa, estudamos as dificuldades e alternativas encontradas por futuros professores ao lecionarem física numa sala de aula com 35 (trinta e cinco) alunos videntes e 02 (dois) cegos. A metodologia de ensino adequada a contextos inclusivos fundamenta-se em dois referenciais indissociáveis: (1) dar condições para que os alunos com e sem deficiência visual observem o fenômeno ou representações do fenômeno a ser estudado; e (2) dar condições para que os alunos com e sem deficiência visual participem de um ambiente de aprendizagem de física. Tal metodologia envolve componentes práticos e elementos de estrutura. Destacamos que os materiais apresentados, por proporcionarem referenciais táteis, auditivos e visuais dos fenômenos estudados, criam um canal de comunicação entre docente e discente com deficiência visual, bem como, entre discentes com e sem deficiência visual, no ensino-aprendizagem de Física.
Palavras-chave: ensino de física, deficiência visual, inclusão.

I. Introdução
A investigação envolvendo a inclusão de alunos com deficiência visual em aulas de física surgiu motivada pelo contexto educacional atual, isto é, o significativo aumento da presença de alunos com deficiências no ensino básico regular. Para se ter uma idéia, entre os anos de 1998 e 2003, a matrícula de alunos com deficiências junto ao ensino regular cresceu aproximadamente 249%.  Este significativo aumento foi conseqüência direta das orientações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LEI 9394/96), que em seu artigo 4º inciso III, recomenda que o atendimento educacional dos alunos com necessidades especiais, seja feito, preferencialmente, na rede regular de ensino (BRASIL, 1996). Tal recomendação, se por um lado corrige problemas históricos ligados à segregação social de pessoas, por outro, pega despreparado grande parte dos docentes, que nunca discutiram em sua formação acadêmica, temas ligados ao ensino de alunos com deficiências.
Entretanto, não defendemos a idéia de que a implantação da educação inclusiva deva dar-se somente após a preparação de todos os professores, mesmo porque, o referido pré-requisito representaria uma justificativa à existência de espaços educacionais segregativos. Todavia, concordamos com uma relação dialética entre aceitação dos alunos com deficiências na rede regular de ensino e busca de soluções à problemática que se estabelece. Por outro lado, entendemos que uma abordagem teórico-prática por parte de futuros professores nos cursos de licenciatura, bem como, de professores ativos em cursos de formação continuada acerca da temática “ensino e alunos com deficiências” pode influir nas atuações desses docentes, e conseqüentemente, na relação de aceitação e busca de soluções, anteriormente mencionada. Como apontam os Parâmetros Curriculares Nacionais, “a inclusão escolar impõe-se como uma perspectiva a ser pesquisada e experimentada na realidade brasileira” (BRASIL, 1998). Neste sentido, o presente texto representa resultados de pesquisas como as indicadas pelos PCNS.
II. Metodologia de ensino de acordo com preceitos inclusivistas
 A metodologia de ensino adequada a contextos inclusivos fundamenta-se em dois referenciais indissociáveis: (1) dar condições para que os alunos com e sem deficiência visual observem o fenômeno ou representações do fenômeno a ser estudado; e (2) dar condições para que os alunos com e sem deficiência visual participem de um ambiente de aprendizagem de física. Nesta perspectiva, estamos interpretando que o aprendizado é um subproduto de um processo de realização intencional de ações de explorar, observar, discutir, propor, reformular, processo este realizado nas interações entre os alunos e com o objeto de estudo. É este ambiente que a prática de sala de aula buscará proporcionar aos seus participantes, isto é, docentes, alunos com deficiência visual e videntes.
De forma mais específica, três componentes práticos e três elementos de estrutura podem ser destacados como características da metodologia inclusiva - são eles: tarefas, grupos e debates (componentes práticos); interação com o objeto de estudo, resolução de problemas e confronto de modelos (elementos de estrutura). Os componentes práticos e os elementos de estrutura se articulam durante o processo de ensino da seguinte maneira: (a) interação com o objeto de estudo (tarefas), (b) resolução de problemas (grupos) e (c) confronto de modelos (debates) (WHEATLEY, 1991 e PERES et. al. 1999). Dessa forma, tanto os componentes práticos, quanto os elementos de estrutura, objetivam proporcionar aos alunos: (1) condições de observar o fenômeno estudado, (2) condições para análises (qualitativas e quantitativas) de situações problemas, (3) condições para elaborar estratégias e hipóteses para a resolução dos problemas propostos e confrontar as hipóteses elaboradas com a de outros grupos e colegas.
Durante a condução das atividades, o professor deverá orientar a formação dos grupos de alunos, apresentar as questões iniciais e finais, ler textos que levem os alunos à reflexão, organizar o debate por meio de sínteses, lançamentos de questões e contra-exemplos, além de defender o modelo científico. Defendendo o modelo científico, o professor representará a “voz da ciência” durante a discussão. A partir do exposto, atendimentos particularizados serão comuns a todos os alunos, e não apenas aos com deficiência visual.  Outro aspecto importante refere-se a atitudes colaborativas entre os alunos. De acordo com o modelo metodológico apresentado, esta colaboração poderá partir de ambos os lados, ou seja, tanto do aluno vidente para o com deficiência visual, quanto no sentido contrário. A tendência é a de não focar a deficiência visual como algo dificultador, como um problema, como fragilidade. A tendência é colocar todos os alunos em iguais condições educacionais, ou seja, todos estão sujeitos a ter dúvidas, dificuldades, idéias, todos têm condições de prestarem ajuda ou serem ajudados. Na seqüência, apresentamos os materiais de ensino anteriormente mencionados.
III. Resultados - Materiais inclusivos  
III. I. Maquete 1: Registro individual tridimensional de cargas elétricas e linhas de força do campo elétrico
Objetivo: Apresentar registro tátil-visual de esferas carregadas positivamente e negativamente, bem como, as linhas de força do campo elétrico referentes a cada uma delas (de afastamento para a esfera positiva e de aproximação para a esfera negativa).  Note-se que estas maquetes podem ser utilizadas junto a alunos com e sem deficiência visual, pois, podem ser observadas visualmente e tatilmente.
Materiais a serem utilizados: 1) Duas esferas de isopor de 4cm de raio; 2) 30 palitos de madeira de  12cm de comprimento; 3) Cartolina,  uma faca de cerra,  tesoura, lápis  e cola.  
Construção da maquete da carga elétrica positiva com as linhas de força do campo elétrico
1) Com o lápis, desenhe na cartolina 15 (quinze) triângulos isósceles com as seguintes medidas: 2cm de aresta da base e 3cm de arestas laterais - e 02 (dois) retângulos com as seguintes medidas: 4cm de comprimento por 1cm de largura. 2) Com a tesoura, recorte os triângulos e os retângulos. 3) Com a faca, faça em 15 (quinze) palitos, um corte de aproximadamente 1cm.   Esse corte deve ser paralelo à direção dos comprimentos dos palitos. 4) Fixe no corte de cada palito um triângulo.  O lado que deverá ser introduzido é o de 2cm. Utilize a cola para fixar melhor. Estão prontos os registros táteis-visuais das linhas de força do campo elétrico de afastamento (carga positiva). 5) Fixe em uma das esferas a outra extremidade do palito. Faça isso com os 15 (quinze) palitos. Procure distribuir uniformemente os palitos ao longo de toda esfera. 6) Com os retângulos e a cola, faça um sinal matemático de mais, e fixe esse sinal na esfera.  Está pronta a maquete tátil-visual da carga elétrica positiva (ver foto 1). 
Foto 1:  Maquete da carga elétrica positiva - Fonte dos autores



Construção da maquete da carga elétrica negativa e das linhas de força do campo elétrico.  
1) Com o lápis, desenhe na cartolina, 15 (quinze) losangos de 3cm de arestas laterais e de 2cm de diagonal menor, e 01 (um) retângulo de 4cm de comprimento por 1cm de largura. 2) Com a tesoura, recorte os losangos e o retângulo. 3) Dobre os losangos para obter 15 (quinze) triângulos de 2cm de aresta da base e 3cm de arestas laterais. 4) Em uma das extremidades do palito, cole a ponta do triângulo oposta à base de 2cm. Isso indicará que o sentido do campo elétrico é de aproximação, ou seja, chegando na esfera que simboliza a carga elétrica negativa. Faça isso nos 15 (quinze) palitos. Estão prontos os registros táteis-visuais das linhas de força do campo elétrico. 5) Fixe na segunda esfera a outra extremidade do palito. Faça isso com os 15 (quinze) palitos. Procure distribuir uniformemente os palitos ao longo de toda esfera. 6) O retângulo representará o sinal matemático de menos.  Cole-o na esfera.  Está pronta a maquete tátil-visual da carga elétrica negativa (ver foto 2).
Foto 2:  Maquete da carga elétrica negativa - Fonte dos autores



III. II. Maquete 2: Registro bidimensional de cargas elétricas positiva e negativa e da interação entre as linhas de força do campo elétrico produzidas por essas cargas
Objetivo: Construção de referencial tátil-visual da interação entre dois corpos, um carregado positivamente e o outro negativamente.
Foto 3: Registro bidimensional de cargas elétricas positiva e negativa e linhas de força do campo elétrico – Fonte dos autores



Materiais a serem utilizados: 1) Placa retangular de madeira de 40 cm de comprimento por 5cm de largura; 2) 02 (duas) esferas de madeira (preferencialmente) ou isopor de 2cm de raio; 3) Fios de arame com as seguintes medidas:   02 (dois) pedaços de 36cm, 01 (um) pedaço de 32 cm  e 06 (seis) pedaços de 5cm; 4) Fita adesiva, cartolina, tesoura, lápis, pregos, martelo e cola, 
Montagem da maquete 2
1) Envolva uma das esferas com a fita adesiva. Esse procedimento é necessário para produzir uma diferenciação tátil entre as esferas. Assim, a esfera envolvida pela fita adesiva pode simbolizar o corpo de carga elétrica negativa, enquanto que a outra esfera, o corpo de carga elétrica positiva. Você também pode escrever nas respectivas esferas os sinais de mais e menos. Esse procedimento é útil, na medida em que este material pode ser empregado junto a alunos com e sem deficiência visual. 2) Fixar, com cola ou prego, as esferas na placa de madeira. Elas devem ficar a uma distância média de 32cm uma da outra. 3) Com o lápis, desenhe na cartolina, 09 (nove) Losangos de 3cm de arestas laterais e de 1cm de diagonal menor. 4) Com a tesoura, recorte os losangos. 5) Dobre os losangos para obter 09 (nove) triângulos de 1cm de aresta da base e 3cm de arestas laterais.
6) Com os arames, proceda da seguinte maneira: (a) Produza curvatura nos arames de 36cm e em 04 (quatro) dos arames de 5cm. Esses simbolizarão linhas externas de força. Os outros pedaços de arame (1 de 33cm e 2 de 5cm) devem permanecer retos; (b) Introduza os arames de 36cm e 33cm em 03 (três) triângulos. Os arames devem perfurar a base de 1cm e sua extremidade oposta; (c) Fixe nos arames de 5cm (2 encurvados e 1 reto) 03 (três) triângulos. Tal fixação deve se dar na base de 1cm dos triângulos; (d)  Fixe nos outros arames de 5cm, os 03 (três) triângulos restantes. Tal fixação deve se dar na ponta oposta à base de 1cm dos triângulos. Para essas fixações, utilize a cola; (e) Fixe, da maneira indicada na foto 3, os arames nas esferas. Para tanto, produza nas esferas furos nos locais onde os arames serão presos. Obs.) Atente-se ao fato de que os arames simbolizam as linhas de força do campo elétrico e   de que os triângulos representam  setas  que indicam o sentido do campo.  Por isso, as setas devem ser colocadas da forma mostrada na foto 3.  Com a finalidade de simbolizar mais linhas de força, você pode prender nas esferas uma quantidade maior de arames. Você pode inclusive construir uma maquete tridimensional, prendendo nas esferas, arames em planos não paralelos.
III. III. Maquete 3: Circuito elétrico multissensorial (interface visual, auditiva e tátil)
Objetivo: Este circuito apresenta interface visual, auditiva e tátil. A variação da resistência (por meio de um reostato) produz variações nos elementos resistivos (lâmpada, ventilador e campainha) proporcionando múltiplos referenciais observacionais das transformações energéticas mencionadas.
Foto 4: Circuito elétrico multissensorial – Fonte dos autores



Materiais a serem utilizados: 1) Superfície quadrada de madeira com 40 cm de lados; 2) Superfície retangular de madeira com 20 cm de largura por 40 cm de comprimento; 3) 03 (três) dobradiças, pregos e martelo; 4) Tomada, reostato, 01 (uma) lâmpada de filamento, 01 (um) soquete (para ligar a lâmpada), 01 (uma) ventoinha de computador, 01 (uma) campainha e fios para a conexão entre os elementos descritos.
Montagem da maquete 3
1) Ligue em paralelo os elementos: lâmpada (soquete), ventoinha de computador e campainha. Esses elementos produzem diferentes tipos de energia, a saber, luminosa e térmica (lâmpada), sonora e de movimento (ventilador) e sonora (campainha). 2) Ligue o reostato em série a essa associação. O reostato permitirá variações de corrente elétrica e conseqüentemente, do brilho da lâmpada, do giro da ventoinha e do som da campainha. 3) Associe às extremidades do circuito a tomada que alimentará o mesmo quando ligada a uma fonte de tensão alternada. 4) Fixar com pregos na superfície de madeira 40cmx40cm o circuito elétrico descrito. 5) Na parte posterior da estrutura descrita, fixar a outra superfície de madeira (40cmx20cm). Para tal, utilize as dobradiças e os pregos.  Dessa forma, o circuito poderá ser colocado perpendicularmente à superfície de apoio e ficar de frente aos alunos. O circuito elétrico desse equipamento multissensorial encontra-se representado esquematicamente pela maquete 4, apresentada na seqüência.
III. IV. Maquete 4: Maquete tátil-visual do circuito elétrico multissensorial (maquete 3)
Objetivo: Apresentar um registro tátil-visual das esquematizações dos elementos do circuito multissensorial anteriormente descrito (maquete 3).
Foto 5: Maquete tátil  do circuito elétrico multissensorial – Fonte dos autores



Materiais a serem utilizados: 1) Superfície retangular de papelão de 41cm  de comprimento por 30 cm de largura; 2) 2m de barbante, tesoura, cola e lápis;  
Montagem da maquete 4
1) Com o lápis, desenhe na superfície de papelão, os símbolos dos elementos:  fonte de tensão/corrente  alternada, reostato, 03 (três) resistores ligados em paralelo (ver foto 5).  Esse circuito simboliza o circuito da maquete 4.  As resistências no circuito real eram os seguintes elementos: lâmpada, ventilador de computador e campainha. 2) Recorte com a tesoura pedaços de barbantes e cole-os sobre os símbolos feitos com o lápis. Os barbantes permitirão aos alunos com deficiência visual a observação tátil dos elementos do circuito elétrico.
III. V. Maquete 5: Maquete tátil-visual de rede cristalina cúbica
Objetivo: Apresentar um registro tátil-visual tridimensional de uma rede cristalina cúbica. É bastante útil para trabalhar a construção do conhecimento de corrente elétrica.
Foto 6: Maquete Tátil-visual de rede cristalina cúbica – Fonte dos autores



Materiais a serem utilizados: 1) 20 (vinte) palitos polidos de madeira (tipo espeto para churrasco) de 25cm de comprimento; 2) 12 (doze) esferas de isopor de 2cm de raio.
 Montagem da maquete 5
1) Fixar os palitos nas esferas a fim de construir um registro tátil-visual de uma rede cristalina com dois cubos. As esferas simbolizarão os íons da rede e os palitos a ligação química entre os íons (ver foto 6). 
III. VI. Maquete 6: Maquete analógica tátil-visual  de condutor elétrico    (comprimento do condutor, área do condutor e resistividade do condutor  - segunda lei de Ohm)
Objetivo: Apresentar um referencial tátil visual da idéia contida na segunda lei de Ohm (resistência elétrica diretamente proporcional à resistividade elétrica e ao comprimento do fio condutor e inversamente proporcional à área do mesmo). Para tal, estabeleceu-se uma analogia entre os elementos comprimento e área do condutor, resistividade elétrica do condutor, e tamanhos de retângulos e quantidade de pontos de cola. 
Foto 7: Maquete Tátil-visual  analógica de condutor elétrico – Fonte dos autores



Materiais a serem utilizados: 1) Uma placa de papelão com 50 cm de comprimento por 41 cm de largura; 2) Barbante, cola, lápis e tesoura.   
Procedimentos para a construção da maquete 6
1) Com o lápis, desenhe na placa de papelão figuras com as seguintes medidas e localização: a) parte superior da placa: lado esquerdo - retângulo de 16 cm de comprimento por 6 cm de largura; lado direito - retângulo de 8 cm de comprimento por 6 cm de largura. Esses retângulos simbolizam comprimentos do condutor. Eles objetivam indicar maior ou menor resistência elétrica em razão do comprimento do condutor; b) Parte intermediária da placa: lado esquerdo - retângulo de 12 cm de comprimento por 5 cm de largura; lado direito - retângulo de 12cm de comprimento por 9cm de largura. Esses retângulos simbolizam as áreas de seção transversal de 02 (dois) condutores de mesmo material.  Eles objetivam indicar maior ou menor resistência elétrica em razão da área do condutor; c) Parte inferior da placa: 02 (dois) retângulos de 14cm de comprimento por 8cm de largura (um ao lado do outro). Esses retângulos simbolizarão a relação entre resistência elétrica e resistividade do material. A diferenciação entre maior ou menor resistividade será feita por um referencial tátil-visual descrito na seqüência (item 3). 2) Cole sobre os retângulos, pedaços de barbantes, a fim de produzir percepção tátil dos mesmos. 
3) Referência tátil-visual da resistividade elétrica: Com cola, faça nos retângulos inferiores círculos em alto relevo pouco espaçados para representar a resistividade maior (retângulo do lado esquerdo) e círculos em alto relevo mais espaçados para representar a resistividade menor (retângulo do lado direito). Veja a foto 7. Obs.) (a) A resistência maior sempre está simbolizada do lado esquerdo e a menor do lado direito; (b) Na parte superior da placa de papelão pode ser escrito  a segunda lei de Ohm. Como sugestão, escreva em braile, de forma sobreposta à tinta, a mesma lei.
III. VII. Maquete 7: Maquete  tátil-áudio-visual analógica  (corrente elétrica, diferença de potencial, resistência elétrica e resistividade elétrica)
Objetivo: Estabelecer analogias entre diferença de potencial gravitacional e diferença de potencial elétrica, corrente elétrica e movimento descendente de esferas, e resistência elétrica e quantidade de pregos contidos numa tábua.
Foto 8: Maquete analógica tátil-áudio-visual  de condutor elétrico – Fonte dos autores



A foto 8 apresenta uma maquete constituída por uma superfície de madeira com pregos fixos ao longo de sua extensão, e esferas que devido à inclinação da superfície de madeira descem o plano inclinado. É possível estabelecer as seguintes analogias: a superfície de madeira representa um condutor elétrico; o conjunto de pregos representa a estrutura cristalina do condutor; as esferas representam os elétrons livres; a inclinação dada à superfície de madeira representa a diferença de potencial elétrico.
Este equipamento fornece referenciais de observação visual, auditiva e tátil. Antes de sua utilização os alunos com e sem deficiência visual poderão tocá-lo (observação tátil). Durante a utilização todos os alunos poderão observar auditivamente (choque das esferas com os pregos) a descida das esferas sobre a superfície. Os alunos videntes também poderão observar visualmente este acontecimento.  Em relação à diferença de potencial elétrico, é possível relacioná-la analogicamente à diferença de potencial gravitacional. Quando a superfície do equipamento estiver na posição horizontal (diferença de potencial gravitacional zero) não ocorre o movimento das esferas (analogia: não há corrente elétrica nem diferença de potencial elétrico). Quando é dada à superfície certa inclinação (diferença de potencial gravitacional diferente de zero) ocorre o movimento das esferas (analogia: existência de diferença de potencial elétrico e de corrente elétrica).
Materiais a serem utilizados: 1) 01 (uma) placa retangular de madeira de 26cm x 71 cm,  01 (uma) placa retangular de madeira de 26 cm x 5 cm e 02(duas) placas retangulares de madeira de 71cm x 5cm; 2) vários pregos pequenos; 3) 06 (seis) esferas de miçanga (de plástico) de 1,5 cm de diâmetro. Essas esferas podem ser encontradas em lojas de bijouteria; 4) régua e martelo. 
Procedimentos para a construção da maquete 7
1) Com as placas de madeira, construa uma caixa sem a tampa superior e sem um dos lados menores. Essa caixa deve possuir as seguintes medidas: (a) base retangular de 26cm de largura por 71cm de comprimento; (b) lado menor - retângulo de 26cm de comprimento por 5cm de altura, e   (c) lado maior - retângulo de  71cm de comprimento por 5cm de altura. 2) Dentro da caixa de madeira, fixar, em linhas paralelas, ao lado menor da estrutura, pregos espaçados de 4,5cm de tal forma que os pregos de uma frente superior formem losangos com os pregos da frente inferior. A distância entre duas linhas de pregos também deve ser de 4,5cm (ver foto 8). De acordo com o que já foi comentado anteriormente, quando inclinada, a estrutura de madeira permite que as esferas desçam com um movimento aleatório representando analogicamente diferença de potencial elétrica, corrente elétrica, resistência elétrica e resistividade elétrica. Esferas de aço não se mostraram adequadas, pois, descem muito rapidamente. 

IV. Conclusões  
            Elaboramos um texto que apresenta materiais adequados a um ambiente de ensino de eletricidade que contemple a presença de alunos com e sem deficiência visual. Os materiais, por proporcionarem referenciais táteis, auditivos e visuais dos fenômenos estudados, criam um canal de comunicação entre docente e discente com deficiência visual, bem como, entre discentes com e sem deficiência visual. Dessa forma, a idéia geratriz da elaboração dos materiais pode ser utilizada pelo professor de física para a construção de outros materiais de ensino para alunos com e sem deficiência visual, ou seja, a inserção, durante a elaboração de um material de ensino de física, de referenciais não visuais para a observação do registro do fenômeno estudado. Por outro lado, a metodologia sugerida no presente texto, fundamenta-se em dar condições para que todos os alunos participem de um ambiente educacional que favoreça a troca de idéias entre os alunos. Esta metodologia busca proporcionar condições para que o ambiente social da sala de aula seja descritivo, argumentativo, questionador, e dessa forma, constitua-se num contexto de aprendizagem. Em tal contexto, alunos com deficiência visual não representarão anormalidades educacionais, pois, as diferenças sensoriais e de formas de pensamento atuarão como um ponto positivo entre os alunos e não como um fator excludente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Brasil, MEC.  Parâmetros Curriculares Nacionais, Adaptações Curriculares, 1998.  Disponível em: http://www.educacaoonline.pro.br/adaptacoes_curriculares.asp. Capturado em 10/05/2005, 10h38min.
 BRASIL. Congresso Nacional. Lei nº. 9.394, de 20/12/1996. Fixa diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, nº. 248, de 23/12/1996.
 CAMARGO, E.P. A formação de professores de física no contexto das necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência visual: o planejamento de atividades de ensino de física. Bauru: Unesp/FC, 2006. (Projeto de pesquisa de pós-doutorado, vinculado ao programa de Educação para a Ciência, Área de Concentração: Ensino de Ciências - Processo FAPESP nº. 04/13339-7 - Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista, Bauru).
 PÉREZ, D. G.; ALÍS, J. C.; DUMAS-CARRÉ, A.; MAS, C. F.; GALLEGO, R.; DUCH, A. G.; GONZÁLEZ, E.; GUISASOLA, J.; MARTÍNEZ-TORREGROSSA, J.; CARVALHO, A. M. P.; SALINAS, J.; TRICÁRIO, H; VALDÉS, P. Puede hablarse de consenso constructivista en la educación científica? Enseñanza de la Ciencia, 18 (1), 1999.
 WHEATLEY, G. H. Construtivist Perspectives on Science and Mathematics Learning. Science Education, 75(1), 1991, p. 9-21.

 

 

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